sexta-feira, 6 de abril de 2018

Ateu

Me recuso a achar que existe messias
Democrata, cirandeiro ou comunista
Nem no céu quanto na terra
Não tenho religião alguma em vista
Não acredito em deus nenhum
Nem entidade e nem espíritos
Do católico ao protestantismo
Muito menos no deus barbo do petismo
Nossa desgraça depende de nós
Mas também de nossos inimigos
Ou nos colocamos contra eles
Ou seremos engolidos
E se nesse processo nos limitamos a rezar
E se nesse processo nos limitamos a votar
Descobriremos, já no estômago do bicho que nos devorou
Que tanto um quanto outro não é lutar
Lutar é não conciliar, é não fazer cócegas nos pés do monstro
É apontar as armas a eles e dizer: ou nós ou vocês
Nem que seja apenas o punho em riste, com um chute na canela
Não queremos nem a paz da exploração
Nem a paz de uma cela

Hipotética Páscoa

Hoje, em uma hipotética escola brasileira, foi dia de festa de Páscoa onde o coelho hipoteticamente visitou as crianças e entregou a elas os ovos.
Na presença de um professor ateu e uma monitora budista, duas professoras tentaram explicar para crianças de 3 e 4 anos que Páscoa simboliza Jesus do céu em nossos corações. O professor ateu esperou as professoras contarem sua versão e disse às crianças que não concordava, e que a Páscoa era quando o Coelho compra barras de chocolate e derrete em seu fogão, colocando-as em forminhas ovais.
Claramente houve, nessa hipotética escola PÚBLICA, um caso de cristofobia, pois hoje em dia esse povo do "politicamente correto" não deixa mais os cristãos catequizarem mais como antigamente!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Epitáfio

Um dia talvez digam de mim
era um cara de pau!
Mas é dessa madeira,
que agora é xingada,
que surge o berimbau.
Sem ela não teria violão,
não tem mesa,
sobrado ou barracão.

E dessa cara amadeirada,
de onde vem o sobrado e a cadeira,
a dialética diz:
subida também é descida
eis que surge a ladeira

Diferente dos que morrem e viram santo
Sem endeusar, mas sem perder o encanto
Bem como os poemas de Noel ou Boldrin
Não fui nem dos melhores, nem muito ruim

Tampouco peço serenidade
quero que chorem, mas chorem de verdade
e por cima coloquem um pano
Pouco de verde e muito de vermelho
Foi comunista, professor e lusitano!

Pedido de desculpas

Eu queria te pedir desculpas. Sim, desculpas à você, que joga toda a responsabilidade do racismo em cima de mim.

Eu peço desculpas pelos séculos de escravidão e chibatadas, com certeza tenho culpa nisso. Me perdoe pelos negros terem sido sequestrados e comporem a primeira classe trabalhadora brasileira. Peço que me perdoe também pela polícia que forja flagrante e que mata a juventude negra. Me desculpe pelas mulheres negras que são em sua maioria os postos mais precários de trabalho, os menores salários.

Venho pedir desculpas pois com certeza a relação capital-trabalho é banal nesse debate e apenas a questão racial interessa aqui. Eu, desempregado, peço desculpas por compor um exército de reserva que pressiona o preço da força de trabalho do proletariado preto lá pra baixo.

Peço desculpa por ter escolhido nascer na classe média e ter privilégios, esse "eu" que você sempre fará questão de chamar de "branco de classe média". Aliás, eu não só escolhi ter nascido na classe média como foi escolha também estar fodido, desempregado a 4 meses e sem previsão de emprego. Adoro fingir estar pobre! Me parece que se eu estiver pedindo dinheiro no farol você ainda fará questão de pontuar o quanto eu sou  playboy e opressor, afinal, o racismo é super-estrutural e não tem base estrutural alguma - balela marxista eurocêntrica, certo?


Vá se foder!

Falsos profetas e falsos socialistas

Enquanto eles dizem povo
Nós dizemos classe
Enquanto eles dizem cidadão
Nós dizemos trabalhador
Enquanto dizem "votem em mim"
Nós dizemos "façam conosco"
Terceirizam as lutas
Dizendo serem contra a terceirização
Golpeados ou conciliadores, duas faces do mesmo
Mas o mesmo não somos mais
Não acreditemos em falsos profetas
Nem em falsos socialistas
Entre eles tanto faz

Germinal

Hoje terminei de ler um livro chamado "Germinal". Esse livro conta a história fictícia de uma greve de trabalhadores em uma mina de carvão, reivindicando além da não redução dos salários, melhores condições de emprego. Era comum a esses trabalhadores que presenciassem a morte de companheiros de trabalho. O livro foi lançado em 1885.
Enquanto lia o último capítulo do livro recebi uma mensagem no zapzap. A mensagem dizia que ontem um metalúrgico em Campinas foi esmagado por uma bobina. Fazia hora extra obrigado pela empresa, operava duas máquinas ao mesmo tempo sem nenhuma proteção. Rogério tinha 33 anos.
Rogério morreu em 2018, em uma sociedade não muito diferente da de 1885.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

PT e "Os Travessos"

Gente, vocês sabiam que o grupo de de pagode, os Travessos, tem uma música inspirada na relação do PT com o capitalismo? Pois é, eu achei que era zoeira também, mas é claríssimo. Vamos lá!
"Não sei o que é que falta pra esse amor dar certo
Será que eu errei em te agradar demais?
Eu acho que você não gosta muito disso
Alguém que só te ama não te satisfaz"
Esse trecho é sobre a insatisfação das frações burguesas ao PT. Depois de promover tantos ataques aos trabalhadores, tentando assim demonstrar afeto aos poderosos, o partido começa a sofrer retaliações, que mais tarde resultarão no impítima da Dilma.
"Amar como eu te amo até que eu não queria
Mas o que eu vou fazer se não tem solução?
Brincar com quem te gosta assim é covardia
Faz bem só pro seu ego e mal pro coração
Laia laia laia, laia laia laia"
Aqui a música se refere ao passado de lutas do PT. O partido que surgiu da luta da classe trabalhadora mas se tornou o seu contrário, amortecendo o conflito entre as classes. Pelegar eles até que não queriam, mas o que vão fazer se não tem solução? Nos últimos versos retomam o tema do impítima, sendo a burguesia extremamente ingrata à quem tanto lhes serviu.
"Parece que às vezes vivo de mentiras
Atrás de ilusões que não tem nada a ver
Mas sei que sou teu chão, o teu porto seguro
Eu vejo tudo isso e você não vê"
Vemos aqui a reflexão entorno do passado. O PT fazendo um balanço com sua antiga pretensão classista e socialista dos anos 80 que vai se perdendo no decorrer dos anos, se torna nítida na década de 90 e se realiza com a chegada a presidência, tendo como vice de Lula um burguês do ramo têxtil. Além disso, se revelam o "porto seguro" dos capitalistas, revelando que tem total consciência do papel de apaziguador no conflito entre as classes. No último verso retomam a decepção com o chamado "golpe".
"Eu não ligo pro que os outros falam
Me arrependo só do que não fiz
Nesses casos de amor o coração é quem diz"
Esse trecho possui uma crítica explícita às organizações classistas da esquerda, dizendo não se importarem com o que dizem. O PT se arrepende apenas de não ter desferido mais ataques à classe trabalhadora, com maior intensidade, o que faria com que a burguesia não tivesse os tirado da presidência. "O coração é quem diz" se refere à concepção Bernstainiana e social-democrata que predomina os setores dominantes do partido desde sua fundação em 1980; reivindicando aqui sua essência.
"Eu aceito todas suas crises
E finjo que acredito no que você diz
Pois quando a gente ama eu sou feliz, feliz
Quando a gente ama eu sou"
Por fim o PT se declara abertamente, dizendo aceitar todas as crises cíclicas do capital, que não se importa com isso e que o amor entre eles é o que há de maior!