quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Nada derruba Bolsonaro

 Não há mais nada que o presidente possa fazer que provoque sua queda. Nada.

Ele já cortou dinheiro da Educação, já tacou fogo em meia Amazônia, já se envolveu com miliciano e corruptos, retirou a aposentadoria dos trabalhadores, já mudou a Polícia Federal pra proteger os filhos, e não caiu. Nem mesmo as 200 mil covas que ele ajudou a cavar na pandemia foram o suficientes para derrubá-lo.
Sabem porque ele não caiu? Porque seguram ele sempre que ele tropeça. Sempre tem uma mão amiga que o segura. Essa mão amiga não vem de um grupo só, vem de vários. Vem dos grandes empresários que aumentam seus lucros graças à retirada de direitos, vem da Globo que bate de um lado e assopra do outro ao blindar Paulo Guedes e a pauta econômica, e também vem de uma esquerda escrota e eleitoreira que ao mesmo tempo em que tenta fazer Bolsonaro sangrar quer também estabilidade política pra buscar uma vitória nas próximas eleições em 2022.
Não há mais nada que Bolsonaro possa fazer que cause seu afastamento. Tudo de mais absurdo que ele poderia fazer ele já fez e continua ai, vivão e vivendo. Entre tropeços e trotes, vai chegar catando cavaco até o fim de seu mandato.

Ford, sindicatos e Garrincha - futebolchevique

 A Ford anunciou que suas plantas em Camaçari-BA e em Taubaté-SP vão fechar as portas. Os metalúrgicos nessas cidades têm em suas direções sindicais a CTB e a CUT, centrais ligadas, respectivamente, ao PCdoB e ao PT.

Essas duas centrais, representando a política de seus partidos, defendem a retirada de direitos dos trabalhadores justificando que apenas com a retirada de direitos eles manteriam o emprego. Para esses sindicalistas, seria melhor ter menos direitos do que não ter empregos. Muito parecido com o que disse um certo candidato em 2018: "Ou tem emprego ou tem direito, os dois não dá".
Garrincha, na copa de 58, durante a preleção do jogo contra a União Soviética, depois de ouvir as orientações do técnico Vicente Feola sobre como seriam as jogadas brasileiras perguntou: "mas o senhor já combinou com os russos?"
O Brasil não combinou com os russos, mas mesmo assim ganhou a partida por 2 a 0. As centrais sindicais pelegas não combinaram nem com os russos, nem com os patrões. Entregaram direitos achando que assim garantiriam o emprego. Ficaram sem os dois.
Rebaixar direitos NUNCA é a saída.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Porque me tornei professor 2020

 Porque me tornei professor?

Em 2015, recém formado e já dentro da escola, escrevi um texto descrevendo os motivos de ter ido por esse caminho. Minha ideia era cinco anos depois reescrever algo parecido, contando o porquê de eu ter continuado ou mudado de caminho. Mais de cinco anos se passaram e, com um pouco de atraso, escrevo aqui porque continuo na caminhada nessa mesma trilha.

Porque continuo professor?

Diferente do idealista recém formado de 2015, que imaginava que o ser professor era apenas realizar o trabalho pedagógico com as crianças na perspectiva da consciência de classe, o professor aqui agora tem os pés mais fincados no chão. 

Hoje tenho plena consciência de que a perspectiva de classe é obrigação não só no trabalho pedagógico com os alunos, mas também com os colegas professores, monitores, merendeiras e todos trabalhadores da escola. É inviável acreditar como o jovem professor de anos atrás que a mudança desse mundão vai ser sempre das próximas gerações. Acreditar nisso é jogar toda a responsabilidade que temos nos outros, nos omitindo da luta, afinal, deixa que as crianças quando crescerem que façam algo, não é? É o que resta, ensiná-las a fazer algo no futuro. Nada mais bunda mole e omisso.

Pra além da dimensão pedagógica, é dever de todos que trabalham na escola e que possuam um compromisso com os alunos e com uma relação pedagógica de qualidade olharem para suas condições de trabalho. O estabelecimento de uma relação pedagógica de qualidade só será conquistado indo pra além da dimensão pedagógica do ser professor, mas na dimensão trabalhista de um professor, de um sujeito de classe e pertencente à uma classe, a classe trabalhadora.

Questionar as diretrizes estúpidas que venham da secretaria de educação, se mobilizar com os colegas para discutir questões que os superiores não querem que se discuta, denunciar os conchavos de quem deveria representar os anseios da categoria - como é o caso dos sindicatos pelegos, se organizar e opinar sobre o aumento salarial ou a falta dele, se recusar a lecionar em um teto prestes à desabar... essas são questões que extrapolam a dimensão pedagógica do ser professor mais que são questões imprescindíveis para qualquer professor que pretenda construir uma outra sociabilidade, com outros valores e princípios. Ler livros sobre Pedagogia História-Crítica ou se dizer marxista de nada adianta se a única prática de luta de um professor é cuspir palavras bonitas para os alunos.

Com todas as dificuldades de ser professor, apesar delas, e sobretudo com elas, é que ser professor tem um potencial gigantesco. O potencial de mobilização, um conhecimento de uma rede gigantesca de pessoas, trabalhadores, alunos, pais de alunos, a convivência com o bairro, tanto quanto pela questão intelectual de se manter eternamente estudando, pesquisando, repensando, esse é o motivo pelo qual ainda vale a pena ser professor.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Fundeb e RenovaBr

Felipe Rigoni, deputado do PSB e relator do FUNDEB que quer usar dinheiro público pra enfiar nas escolas privadas e escolas religiosas é uma das crias do RenovaBr.
Esse RenovaBr é uma organização ligada ao Luciano Hulk e outros ricaços pra fazer uma suposta "renovação na política". É assim, com esse discurso fofinho, que eles conseguem eleger gente como a Tabata Amaral, que com uma fala progressista vota pela retirada de direitos dos trabalhadores, como a reforma da previdência.
Esses movimentos do estilo RenovaBr estão fazendo formação não apenas nos partidos de direita, mas também com integrantes do PT, PCdoB, PDT, Rede, PSOL, PSB... ou seja, em todo o campo progressista e conciliador.
Há quem diga que o RenovaBr é o maior partido do Brasil, colocando em pauta ajustes neoliberais tanto em partidos de direita como de esquerda. Há também quem prefira ignorar e ver o que acontece.

Belchior e Adriano - Futebolchevique

Tinha um dom que poucos tinham. Juntava poesia e força, uma habilidade tremenda. Porém, nós, meros mortais, fingimos não entender a renúncia que fez da vida pública, já que ele tinha o que nós não tínhamos e poderia ser o que nós nunca seremos. Somos incapazes de compreender o porquê de abdicar dos privilégios da fama para ter uma vida comum, a vida que temos.
Essa é uma coragem que poucos possuem, seja Belchior, o rapaz latino-americano, ou o Imperador Adriano.

28 de dezembro

Matéria prima - Futebolchevique

A realidade é movida pelas contradições, essa é a lógica do capital. Uma dessas grandes contradições é futebolística.

Um país exportador de matéria prima e que importa quase todos produtos industrializados que consome importou uma matéria prima inglesa, o futebol, e deu seu mais refinado acabamento. Das seis copas realizadas entre 1950 e 1970, o Brasil esteve presente em quatro finais, ganhando três delas. A economia periférica "industrializou" a matéria-prima inglesa.

Mas como é a contradição que move a vida, esse mesmo país que deu o acabamento mais desenvolvido à matéria prima inglesa acabou por se tornar um exportador de jogadores, essa mercadoria que pode ser chamada "pé-de-obra". A exportação de jogadores de futebol ainda na juventude se tornou mais um entre tantos ramos na economia vendedora de matéria prima, e se hoje em dia a relação entre seleção e torcida é quase nula esse processo pode ser a explicação. De onde saiu Firmino? Quem é Douglas Luiz? Quem são essas pessoas que nunca vestiram a camisa do meu time ou do rival?

Dessa maneira, o outrora industrializador de matéria-prima do país industrializado, deixou de ser a expressão mais bem acabada do futebol mundial para deixar seu belo futebol à reboque dos colonizadores. Passou a ser o fornecedor de matéria-prima de sempre e apreciador da Premier League.


9 de dezembro

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Oportunismo eleitoral

 Agora que passou as eleições vamos ver quem são os salvadores da pátria que só aparecerão novamente na próxima eleição e quem são os que continuarão tentando construir algo. Vamos ver quem vai ajudar a construir a próxima Greve Geral, quem vai construir oposições sindicais, quem vai construir o Coletivo de luta da sua categoria, e quem vai sumir no teletransporte eleitoreiro.

É sempre mais fácil acreditar que Rio Claro não elegeu ninguém decente porque é uma cidade conservadora. Mas assumir a culpa de uma militância copa do mundo, de 4 em 4 anos, é assumir uma responsabilidade que muitos não querem.
O tempo escancara quem tem um projeto individual e oportunista dos que tem uma proposta coletiva de mobilização e avanço das lutas dos trabalhadores. Quem é de luta não corre atrás de uma urna como o cachorro corre atrás do rabo.

16 de novembro de 2020