quarta-feira, 30 de junho de 2021

Cachorros do Brasil

 Há quatro tipos de cachorros na política brasileira. Existe aquele cachorro demesticado e que acata qualquer tipo de comando, existe o cachorro louco que geralmente obedece os comandos mas que as vezes avança até nos donos, tem o cachorro que vive na rua, o típico vira-lata, e por último o domesticado que as vezes tira um rolê na rua e que muitos pensam que é vira-lata mas que no fundo tem uma casa, é bem dócil e obediente.

Quando necessário a burguesia recorre tanto ao cachorro louco como ao domesticado que curte um rolê, mas o de sua preferência mesmo é sempre bom e fiel cão de guarda domesticado que não desobedece jamais. O vira-lata nem pensar, ele não se sujeita aos seus caprichos.
A burguesia é flexível, não tem problema em apoiar um miliciano ou até mesmo um ex operário sindicalista caso o candidato da elite paulistana João Dória não consiga crescer. Ela já fez isso em outras épocas.
Os vira-latas que se preparem se não quiserem ser linha auxiliar dos outros.

Lázaro e a bancada rural

Lázaro era um jagunço de fazendeiros de Goiás que o contratavam para tocar o terror em terras que queriam comprar na região.
Os políticos que vão aprovar o Marco Temporal vão roubar terras indígenas a mando do agronegócio. Terras indígenas vão virar plantação de soja e pasto para gado.
Lázaro e os políticos são jagunços do latifúndio. Um com armas, outros com caneta.
Lázaro foi fuzilado, os políticos vão virar nome de escola.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

A utopia, o horizonte e o socialismo

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Esse texto que equivocadamente é atribuído à Eduardo Galeano, como o próprio afirmou diversas vezes, é de autoria de Fernando Birri.
Muitas pessoas se utilizam desse texto para fazer alusão ao socialismo, como se ele fosse uma utopia. Acham bonito a idealização do socialismo - acreditando que ele é utópico por si só mas que nos possibilita sonhar. Que me desculpem os sonhadores, mas cometem um grande erro.
O socialismo é uma possibilidade histórica, uma possibilidade que se abre com as contradições da sociedade capitalista. E mais do que uma possibilidade histórica, o socialismo é uma necessidade concreta, a necessidade da classe trabalhadora em se emancipar de seus algozes, da exploração e da miséria que nos assola.
Quando milhões de pessoas morrem por um vírus ao mesmo tempo em que temos indústrias pra dobrar, triplicar ou quadruplicar o número de vacinas, mas o direito a propriedade privada não permite a quebra das patentes, o socialismo deixa de ser utopia para se tornar uma necessidade.
No capitalismo vacinamos muito mais bois do que pessoas. No capitalismo o lucro está acima da vida!
Que me desculpem Fernando Birri, Galeano e todos os que gostam dessa história de horizonte, passinho pra trás e passinho pra frente, mas assim como acreditava Rosa Luxemburgo, é socialismo ou barbárie.

A culpa é da professora Marocas



Muito bacana a narrativa que culpa quem votou em Bolsonaro pelas mais de 428 mil mortes no Brasil.

Para essas pessoas a professora Marocas que votou 17 por um ódio cego ao PT mas que agora está arrependida tem mais culpa do que a mídia burguesa, os meios de comunicação em massa que deixaram o miliciano crescer e que disseram que a eleição era "uma escolha muito difícil".

Para essas pessoas a arrependida professora Marocas tem mais culpa do que a burguesia que fez uma campanha massiva pelo Bolsonaro, inclusive financiando sua campanha e o gabinete do ódio, como é o caso da indústria armamentista.

Para essas pessoas a professora Marocas deve ser achincalhada pois ela é culpada, não uma esquerda pilantra que falou por mais de uma década que os trabalhadores eram a "nova classe média", despolitizando desenfreadamente a classe trabalhadora.

É mais cômodo culpar a professora Marocas dizendo que ela não sabe votar, pois facilita o caminho de alianças com os verdadeiros culpados.

terça-feira, 30 de março de 2021

Os alarmistas e o tonto



Em 1964 houve um golpe que foi apenas uma movimentação no grande tabuleiro da Guerra Fria. Naquele contexto havia uma efervescente movimentação dos trabalhadores do campo e da cidade. Mas e agora?

Apesar dos alarmistas de plantão, não há até agora elementos concretos para um golpe. A burguesia está lucrando como sempre, a esquerda está sonada como nunca e a classe trabalhadora apassivada "como nunca antes na história desse país". Além disso, a saída de alguns militares do governo expressa que o exército não está totalmente fechado com o governo miliciano.

No máximo o que Bolsonaro pode fazer é ser o amigo que ao combinar de entrar na piscina com os outros é o único a correr e pular. Deixam um tonto pular primeiro pra ver a temperatura da água.

Sem alarmismos, mas de olhos bem abertos.

Professor nunca foi operário



Professor nunca foi operário.

Embora professores e operários sejam trabalhadores, proletariados, o operário o é porque opera máquinas, trabalha em linhas de produção, enquanto o professor realiza um outro tipo de trabalho, um trabalho não braçal, mas ainda sim trabalho. O salário dos professores historicamente foi sempre maior do que o salário dos operários, embora ambos sejam baixos, o salário dos operários de forma geral beira o salário mínimo.

Professor nunca foi operário, até agora. Muito provavelmente nesse momento milhares de professores estão operando máquinas ao montar vídeo-aulas e diversos mecanismos ultra tecnológicos em seus notebooks. Por 15 anos os professores que são funcionários públicos ficarão sem reajustes salariais. Isso significa mais do que ficar sem aumento, significa que seus salários serão comidos pela inflação e que seus salários serão reduzidos.

Agora professor opera máquinas e vai ter um salário de peão. Professor a partir de agora é, além de proletário, operário.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Crítica à exciton

Queridos amigas, amigos, colegas e desconhecidos da companhia.
Estou escrevendo essa crítica à companhia pois acredito que ela possam servir aos membros uma reflexão sobre questões que extrapolam os limites da dança -até porque de dança eu não entendo patavinas- e podem se aplicar em nossa prática cotidiana.
As considerações que farei são baseadas na apresentação da última semana, "olhares de um golpe", e também no pouco que acompanho desde 2010.

Quando a companhia se dispõe a passar alguma mensagem, a trazer algum questionamento, é necessário que a própria companhia acredite no que está se propondo a construir. Eu só poderei discutir e rechaçar o racismo em sala de aula com meus alunos se eu de fato acreditar que isso não seja uma maneira correta de se pensar e agir. Se eu for racista, ter uma fala anti-racista acaba sendo uma fala vazia, hipócrita.

Quando o grupo se dispõe a apresentar uma peça como tema o golpe civil-militar e, na minha interpretação, tecer uma crítica quanto aos desaparecidos políticos, a tortura, a censura e aos assassinatos, é importante que haja um consenso quanto ao repúdio quanto a tais ações. Torna a idéia de transmitir um pensamento muito mais coerente, efetiva, e antes de tudo, real. Se não pode se cair na cilada de tentar vender um produto que nem o vendedor compraria. 

E isso pareceu ser o que acontece quando após o término do espetáculo e questionados sobre um posicionamento do grupo sobre o tema, foi respondido a pessoa da platéia que o grupo não possui um posicionamento quanto a isso. Dando a interpretação de que possa ter pessoas que concordem com algo do que foi criticado por elas mesmas através da dança e das interpretações.
Existe uma música de rap que diz: "a arte pela arte para mim é surda e muda". A arte necessita ter uma mensagem consciente, algo a dizer para se fazer efetiva. Seja ela uma reflexão ou uma sensação, é necessário que seja questionada inúmeras vezes para ser melhor elaborada e efetiva.
Se a mensagem que a companhia busca transmitir não é compartilhada pela própria companhia, como exigir que a platéia compartilhe dessa mensagem? Se a impressão que tive for correta, a dança acaba sendo apenas algumas pessoas tentando mostrar suas qualidades técnicas, sua coordenação motora, sua flexibilidade e sua capacidade rítmica. Nada mais que isso. Todo o discurso de questionamento desse triste período da história do Brasil acaba sendo falacioso. Acaba sendo apenas plano de fundo de um exibicionismo egocêntrico.

Para sabermos se compartilhamos da opinião de repúdio ou compactuamos com o representado pelo espetáculo 'olhares de um golpe' basta um exercício simples. Nos imaginarmos com quem nós nos parecemos, com quem nos identificamos naquele período. Com os "baderneiros" e "vândalos" que eram perseguidos naquele período pois se dispuseram a lutar pela queda do regime ditatorial , se nos identificamos com grande parcela da população que se omitiu ao ocorrido e apoiou timidamente o golpe, ou se nos identificamos com o empresariado que financiou os grupos de extermínio, financiou a tortura e se organizou com os militares que detinham a força bélica necessária para o golpe. Se nos identificarmos com os 2 últimos grupos, toda a consideração feita antes sobre uma dança vazia acaba se confirmando. Se nos identificarmos com o primeiro grupo, por favor desconsiderem toda crítica feita até então.
Gostaria agora de fazer uma critica no que se refere as músicas utilizadas, e aqui não passa de um palpite.
As músicas, 'cale-se', 'apesar de você', 'roda vida', 'pra não dizer que não falei das flores', apesar de serem belíssimas, acabam sendo clichês quando o tema se trata de ditadura civil-militar. Poderiam ser utilizadas músicas menos conhecidas sobre o período, ou até mesmo releituras dessas mesmas músicas com outros intérpretes. Achei sensacional terem utilizado a música 'é' do Gonzaguinha! Acho que ela exemplifica bem o que estou tentando dizer. É uma música menos conhecida mas que retrata muitíssimo bem o conteúdo abordado. Acredito que isso enriqueceria o espetáculo.
E por último tenho uma sugestão a fazer.
No início do ano o movimento estudantil promoveu uma série de atividades com o tema dos 50 anos do golpe. E entre elas, fizemos um varal que foi exposto na entrada do r.u. e da biblioteca com fotos e histórias dos desaparecidos e assassinados pela repressão no período ditatorial, assim como dos desaparecidos e assassinados pela atual "democracia" presente em nosso país. Se for do interesse de vocês posso enviar o material para a companhia para que vocês possam expôr no ambiente em apresentações futuras.
Outra sugestão alternativa a de cima, acredito que no panfleto que deixaram nos assentos da platéia poderiam também conter histórias e fotos das vítimas, dizendo algo como: "poderia ser você".
Não sei se são viáveis para o grupo, mas acredito que as sugestões são válidas.
Espero que compreendam a crítica que fiz, e peço que desculpem possíveis deslizes e precipitações cometidas, pois são considerações feitas por alguém de fora que nunca fez parte da rotina de vocês, embora conheça alguns dos membros. Peço que desconsiderem possíveis deslizes vindo de fora, mas que também as considerem justamente por isso, pois as vezes alguém de fora possa ver coisas que os de dentro podem não se atentar.
Espero com esse texto poder contribuir com o grupo,
valeeu