quarta-feira, 18 de julho de 2018

Memórias de uma bola de futebol

     Uma vez, quando eu era criança, a escola pediu que a gente optasse por um livro de nossa escolha pra fazer um trabalho qualquer. Meus hábitos de leitura eram gibis da Turma da Mônica e o caderno de esportes do Estadão - sempre procurando notícias da Portuguesa. Minha mãe me aconselhou a comprar um livro que fosse algo do meu interesse e então comprou pra mim um livro chamado "Memórias de uma bola de futebol". Eu me lembro de abrir o livro uma única vez e de não ler absolutamente nada. Não faço ideia do que fiz com o bendito trabalho e sei lá que fim levou o livro.

     Aproximadamente 17 anos depois, nessa última sexta, eu estava fuçando livros na casa dos meus pais e reencontrei o dito cujo. Um livreco de 70 páginas que eu não fazia ideia do que se tratava, mas pelo título imaginei que era uma bola de futebol falando baboseiras. A curiosidade mata e então peguei-o para ler.

     Coincidência ou não com as minhas concepções políticas, o livro relaciona o futebol com a luta de classes, racismo e machismo de uma maneira descontraída. Ainda que eu tivesse lido o livro naquele tempo não entenderia absolutamente nada. Pesquisando sobre o autor, descobri que ele morreu a alguns anos atrás e que ele foi torturado durante a ditadura, deixando sequelas psicológicas consideráveis.

     Aquele garoto de 9 anos mal sabia que viraria um professor de Educação Física comunista. Êta, mundo louco...


segunda-feira, 16 de julho de 2018

Eleições 2018, que fazer?

     Lula, Ciro Gomes, Manuela D'Avilla ou Guilherme Boulos? Esse ano é ano de elegermos o novo salvador da pátria. Sejam eles velhos ou novos personagens da política nacional, estão encrostados de uma antiga tendência que se repete a algumas décadas. Sem terem absolutamente nada de novo, o que mais desejam é serem vistos como novos. É como quando ao cozinhar exageramos na quantidade de comida. Ela dá para o almoço e para a janta, e até ai tudo bem. Dá também para o almoço do dia seguinte e a partir dai começa a ser meio intragável. Nas próximas refeições você até coloca algumas coisinhas novas pra dar uma incrementada, um queijo ralado, um presunto picado, mas você sabe lá no fundo que não passa da velha comida requentada. 

     No último período vivemos em um clima de polaridade, ou melhor, de falsa polaridade. As análises rasas da sociedade brasileira a dividem entre coxinhas e petralhas, entre bolsominions e democratas. Quem quiser acreditar em discursos fáceis que acredite, mas a realidade é mais complexa e mais profunda que isso.

     A polaridade real, o antagonismo de onde emerge todo o cotidiano de desgraça dos trabalhadores é o antagonismo entre patrões e trabalhadores; entre os que tudo produzem e os que acumulam a riqueza produzida por outros. No entanto, revelar o antagonismo entre as classes, falar sobre a exploração existente no capitalismo, tem sido algo fora de moda nos últimos tempos. E por quê falar de exploração ficou fora de moda e é tratado como algo ultrapassado? Por quê falar da essência do capitalismo, a exploração, tornou-se coisa de anacrônico? Temos que voltar alguns anos para responder essa questão.

     Diante do movimento operário e socialista que ganhou força desde o início do século passado, com as revoluções vitoriosas na Rússia, em Cuba e na China, os patrões e os governos capitalistas começam a proporcionar alguns anéis para manterem os dedos. Com medo de que seus países fervessem com a brasa revolucionária -como nos já citados onde houve revoluções vitoriosas- e para que tenham seus ânimos acalmados, os trabalhadores conseguem melhores condições de vida. A classe trabalhadora conseguiu um tanto do que reivindicava, saúde, educação, lazer, etc; tudo o que precisa pra reproduzir sua força de trabalho e poder produzir a riqueza para os ricos patrões. Em outras palavras, os capitalistas diziam que não era necessário se colocar em luta contra eles, esses já anteciparam as melhoras para a vida da classe explorada. Com algumas conquistas, a classe trabalhadora não iria pra cima com tanta veemência.

    A expressão dessa tendência é a denominada "Social-Democracia". É a linha política dessa garantia do status quo fornecendo relativas melhorias nas condições de vida para os trabalhadores É onde as coisas mudam para que nada mude. Alguns dessa linha beiram mais à esquerda, outros beiram mais à direita, mas todos cantam a mesma música. Um Estado forte, que garanta direitos sociais alinhados ao desenvolvimento nacional - vulgo crescimento da indústria e , logo, dos capitalistas. Essa linha política ficou muito clara na Europa do pós-guerra, no chamado "Estado de bem estar social", onde tinha uma gigante URSS batendo à porta de todos os países propagando o socialismo. Era necessário dar alguns anéis para não perder os dedos para o socialismo. Entretanto, tudo muda quando cai a URSS e o espectro do socialismo desaparece. Começa ai, não coincidentemente, a classe trabalhadora mundial a perder direitos.

     A realização da Social-Democracia no Brasil ocorre tardiamente se comparada aos Europeus. Analisando o último período brasileiro, o ciclo petista, que podemos chamar de “social democracia brasileira”, tem elementos bastante comuns aos que já ocorreram na Europa e também foi marcado por contradições. Nesses 14 anos de Lula e Dilma houve avanços relevantes para a classe trabalhadora, como maior acesso às universidades, levando energia elétrica para muitos e diminuição da miséria. Só que tais avanços só ocorreram e só podem ocorrer em momentos particulares da história, como no cenário até então presente de aumento das taxas de lucro para os capitalistas. Qualquer crise capitalista, por mais à esquerda que possa estar a cadeira presidencial, afeta as entranhas do nosso “Estado de bem estar social”. Com as crises, nosso paraíso de PROUNI’s e Bolsa Família são varridos do mapa, juntos de qualquer avanço. Os mesmos que promovem essas melhorias para a vida dos trabalhadores não hesitam em proferir ataques quando a burguesia assim deseja. Não à toa que nestes mesmos governos petistas em que houve avanços, houve também reformas da previdência, flertes com reformas trabalhistas e paquera com reforma do ensino médio. Sem contar que as conquistas nesses governos, sempre vinham com surpresinhas indesejáveis no meio, como por exemplo a democratização/massificação do ensino superior veio junto com um injeção gigantesca de dinheiro público para empresários da educação. Todos os avanços estão claramente dentro dos marcos do capitalismo, como é a característica da Social Democracia.

     Mas por que é importante resgatar a história do movimento dos trabalhadores mundialmente e fazer a crítica ao ciclo petista? Porque é necessário resgatar que não foi o PT que inventou esse movimento, ele já ocorreu em alguns lugares bem antes do que aqui. E assim como na Europa, vimos no que deu. Foi a crônica de uma morte anunciada que talvez nós tivéssemos mesmo que experimentar enquanto experiência histórica de luta. Tendo vivenciado esse período, nos deixa claro que no capitalismo nossos avanços tem prazo de validade. Quando um velho barbudo nos diz que "a história se repete, primeiro como farsa e depois como tragédia" ele não se referia a nosso tempo, mas com certeza a frase nos cabe. Ou nos esforçamos para construir as condições de uma sociedade sem exploração, ou ficaremos como a maré, ora mais baixa, ora mais alta, ora mais baixa, ora mais alta, alternando ciclos de grande acumulação de riquezas, períodos de menor acumulação de riquezas. E para não cairmos nesse ciclo sem fim, é necessário um balanço dos movimentos e organizações que nós, trabalhadores, ajudamos a criar.

     A Social-Democracia, já acima citada, em seu início continha um alto teor de emancipação da humanidade e via a democracia como um caminho a ser percorrido para a chegada ao socialismo. Com os desdobramentos da história, esse movimento vai deixando de lado seu caráter revolucionário e se tornando cada vez mais democrático. A democracia que antes era um meio para o socialismo, passa a ser o fim em si mesmo. Democracia para ser mais democrático, seja lá o que for isso. Chega a ser bizarro ver até os que se dizem comunistas afirmarem isso, tal como a pré-candidata do PC do B, Manuela D'Ávila, na entrevista no Roda Viva afirmando que a democracia é um fim. Desconsideram o conteúdo burguês de nossa democracia, mistificando os conceitos. Avançarmos nos marcos democráticos não nos coloca mais perto do socialismo, o que também não quer dizer que a democracia-burguesa é dispensável enquanto terreno fértil para nossas lutas. Mais me parece que o socialismo dos sociais-democratas é a ilusória harmonia capital-trabalho.


     A Social-Democracia não é a estratégia política que livrará os trabalhadores de seus algozes, mas nós acabamos por reforçar essa linha a todo momento, talvez até inconscientemente. Atualmente isso tem se manifestado aqui em nome da democracia em detrimento do suposto golpe. Deixam de lado através do discurso democrata que mesmo com o golpe/impeachment os ataques não se iniciaram, mas se intensificaram. Os ataques à classe trabalhadora não se iniciam na armação que é o governo Temer, esses ataques sempre estiveram presentes, tanto nos governos neo-liberais pré Lula, quanto nos governos petistas. Não é saída para nós reivindicar a volta do Lula, nem Dilma e nem ninguém. Devemos cometer novos erros, e não velhos erros já cometidos. 

     Dentro desse cenário, qual é o papel dos trabalhadores? Não nos limitemos à escolher com qual molho seremos comidos, se o molho será menos ou mais picante, se será com mais ou menos Estado. O papel dos trabalhadores é se organizar em locais de trabalho, de estudo e de moradia, se mobilizando contra os braços da burguesia e seus governos. Buscando formar grupos que se organizem autonomamente de partidos e sindicatos -mas que dialoguem com as organizações política e sindicais combativas. Que o chão de fábrica se coloque contra seus patrões que o chicoteiam, que o funcionalismo público se coloque contra o Estado e que os estudantes se aliem aos trabalhadores. Apenas nos organizando nas bases, lado a lado com os colegas que sofrem juntos, podemos enfrentar a miséria de nossa classe. 

     Sendo assim, votemos nulo nas eleições. Votar nulo nas eleições não resolve o mundo, mas é educativo. Se reconhecemos que as eleição não são um ponto de virada, se as eleições não mudam nosso cotidiano de exploração, nos voltar totalmente à elas educa os trabalhadores a investirem apenas nesse campo. Por mais que todos os partidos que se dizem dos trabalhadores discursem que as eleições são apenas um momento particular de seus momentos de luta, a prática mostra que isso é lenga-lenga. Toda a estrutura partidária atual está completamente voltada para as eleições. E isso se mostra de maneira tão bizarra que o PT, que tem uma enorme contribuição nesse processo (des)educativo, vem sendo vítima desse mesmo processo que foi protagonista. Com Lula preso, não conseguem se mobilizar a tal ponto de ter força para tirá-lo da prisão e aparentemente fazê-lo candidato. Morrem de inveja da Venezuela em 2002 que conseguiu se mobilizar e reerguer Hugo Chávez.

     Nossa saída é construir organizações de base, lutar junto às organizações combativas e nos mobilizar contra organizações pelegas. Mas, por outro lado, não adianta anular o voto e esperar sentado no sofá algo divino acontecer. Se for pra esperar um messias e não se colocar em movimento, mais vale votar em qualquer um -que não o Bolsonaro- e participar de formações, mobilizações com seus pares, e mesmo tendo um candidato não se iludir com as eleições. 

     Votar nulo é tomar as rédeas da história em nossas mãos. É não terceirizar a luta em possíveis representantes e fazer política em nosso dia dia e não de 2 em 2 anos. É não alimentar esperanças nesse jogo de cartas marcadas. Por mais clichê que seja essa frase ela não deixa de ser verdadeira: se eleições mudassem alguma coisa seriam proibidas. E se eleições não mudam o nosso dia-dia de sofrimento, por quê defender candidato A ou B? Devemos gastar nossas energias com o que realmente é efetivo e pode dar resultados. Lula, Manuela, Ciro ou Boulos, cada um com sua particularidade, todos defendem projetos similares de sociedade, um capitalismo mais humano, tal como perfumar merda. Economicamente estão todos no campo do keynesianismo. A única coisa que libertará a nós trabalhadores de nossas vidas miseráveis e doentia é a ruptura com o que está posto, uma ruptura revolucionária. E revoluções, camaradas, nunca ocorreram e não ocorrerão através dos votos. Cuba, China, França, Inglaterra, Rússia, nenhuma delas foi através de votos, sejam elas revoluções burguesas ou socialistas. E mais, as revolução não ocorrem simplesmente ao bel prazer divino, elas são feitas, e se são feitas, são feitas por nós trabalhadores, e não por pseudo-representantes do povo que nada mais são do que representantes da burguesia. 

     O que fazer nas eleições? Votar nulo. Mas se quiser muito, muito, muito votar, e se for entrar em depressão e seus braços caírem se não o fizer, tudo bem, vote na esquerda, mas não esqueça de fazer o dever de casa de nossa classe: se organizar com os colegas de trabalho, moradia e estudo e se colocar em movimento independente dos patrões e dos governos. Só assim construiremos os pilares para uma outra sociedade. 

Nem patrão nem eleição, nossos direitos virão por nossas próprias mãos!









quarta-feira, 27 de junho de 2018

Caro Neymar

Caro Neymar,
Gostaria de pedir encarecidamente uma coisa. Gostaria de pedir que o senhor jogue simples hoje. Jogar simples não é deixar de driblar, de fazer os rabiscos que vocês faz tão bem, jogar simples é parar de querer fazer mágica toda vez que você pega na bola. É parar de segurar a bola quando não precisa, quando o mais efetivo é fazer um "tá comigo, não tá mais", tabelar com o companheiro. Com certeza você apanhará bem menos do que você apanha. E sim, eu vejo que você apanha bastante. Não acho que seja simulação de falta, mas o problema é que você exagera demais. Se toma um puxão, age como se tivesse perdido o braço. Se toma um empurrão, age como se fosse atropelado. Tenta seguir a jogada, caralho, e se não der pra seguir, apenas pare, reclame da dor, mas não finja uma convulsão que não existe. Se sentir de novo vontade de chorar, chore mesmo, mas chore após o término do jogo. Não faça igual o Thiago Snif Snif Silva que chorou antes de bater o pênalti na última Copa. Se der vontade de falar palavrão, fale também, mas não seja burro de xingar na frente do juiz e correr o risco de tomar cartão. Pode falar palavrão em português, em espanhol, fale do jeito que você quiser, e se quiser misturar as línguas de novo e fazer poesia, pode também! Aliás, pode até xingar o arrombado do Casimiro quando ele errar passe, xinga mesmo. Só não leva cartão! Futebol não é igreja (se bem que...).
É só isso por hoje. Qualquer coisa eu te retorno depois.
VAAAI CARALHO!!!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O garoto morto no RJ e o futebol

Marcus Vinicius de Silva morreu ontem no Rio de Janeiro. O garoto de 14 anos morreu a noite, após levar um tiro, "bala perdida", de um carro blindado dos militares enquanto ia pra escola.
Marcus poderia ter visto a reviravolta no jogo de hoje da seleção brasileira, poderia estar curtindo o dia como muitos outros garotos da sua idade. Poderia estar assistindo Sérvia e Suiça agora, ansioso para o próximo jogo do Brasil. Poderia estar xingando o Neymar ou o defendendo, criticando os passes errados do Casimiro ou dizendo que o gol de Coutinho foi fácil, mas infelizmente não está.
O problema não é o futebol, que por entrarmos de cabeça nele não nos permitimos nos sensibilizar como deveríamos em um momento desses. Nós somos trabalhadores fodidos que vêem no futebol um meio de abstração de nossa desgraça diária. Um faísca de felicidade que nos é cada vez mais privada.
O problema não é o futebol, não é a Copa, nosso problema é a sociedade capitalista, é um Estado de merda que mata para garantir o lucro dos patrões e o status quo.
Em uma sociedade sem exploração e sem opressão ainda haverá futebol e Copas do Mundo. Digo mais, vai existir muito mais futebol, e esse futebol não vai ter dono! O que não vai existir é PM, burocrata e nem patrão.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Falsidade ideológica



Todos que já jogaram bola na rua são criminosos. Sim, criminosos mesmo, daqueles que infringem leis e que deveriam estar na prisão. Falo isso com tranquilidade. Eu, você, toda aquela molecada que já arrebentou o pé jogando bola no asfalto já infringimos as leis.
Pra começar. Quando a bola ultrapassou a linha imaginária entre os chinelos milimétricamente colocados, no momento do gol, que garoto nunca gritou um sonoro “RRRRRRRRRRRONALDIIINHO”? Ou mais recentemente um “Neeeeeeymar”. Meu crime era evocar Rodrigo Fabri. Temos aqui um caso claro de falsidade ideológica. Tão falsários quanto os goleiros que após as milagrosas defesas gritavam “SÃO MAAAAAARCOS”!
Há ainda casos mais graves, casos de corrupção. Sujeitos de caráter duvidoso sorrateiramente aumentam o gol do time adversário ou diminuem o tamanho de seu próprio gol. Corrupção ativa! E não mais leve são os casos de corrupção passiva, onde os bandidos tomam gols de propósito para sair do gol, sabendo que quando forem vazados outra pessoa toma seu lugar.
Geralmente há duas espécies de bandidos, os com camisa e os sem camisa, não havendo limite para o número de membros.
Um clássico dos crimes é o de abuso de autoridade. Geralmente os criminosos que se enquadram nessa infração utilizam-se de seu poder, da propriedade privada da bola, e argumentam um velho chavão para obterem vantagens, “a bola é minha”, afirmam eles. Assim, através de seus privilégios, buscam influenciar o andamento e as regras dos jogos. Esses aqui frequentemente são vítimas de bullying, o que acaba de certa maneira compensando o crime.
Outro crime muito presente nesse ambiente deplorável é o vandalismo. Os marginais, munidos de bola, depredam o patrimônio alheio, destruindo vidraças, janelas e jardins. É claro que a reação das vítimas, furando as bolas utilizadas nos crimes, é totalmente compreensível. Sem contar no uso de drogas, a perigosíssima sacarose que anda destruindo a família brasileira. Ela está presente nos refrigerantes (geralmente Simba, Dolly ou Taí) e é consumida em plena luz do dia.
Esses meliantes possuem leis próprias. Quando se aproxima algum pedestre o jogo para, da mesma maneira que param quando se aproxima um carro. Nenhuma de suas leis são registradas em cartório nem em constituições. Sua principal lei é denominada “pediu, parou” e ocorre quando algum deles se sente lesado por outro. Muitas vezes essa lei é questionada pelos demais, mas acaba sendo acatada, zelando pelo bom andamento da atividade.

Por volta das 6 da tarde eles somem das ruas adentrando em seus esconderijos, cumprindo as ordens emitidas pelas líderes da gangue. A hora do banho é sagrada. No dia seguinte tudo se repete impunemente.


domingo, 10 de junho de 2018

A Copa do Mundo é nossa

O futebol, camaradas, é de quem construiu os estádios. O futebol é de quem confeccionou as bolas e os uniformes. O futebol é de quem forjou as traves e dos que a cavucaram no gramado. É de quem cuida do gramado e passa o cal. É de quem cozinha as refeições do jogadores, de quem organiza suas roupas. O futebol é de quem constrói os carros e ônibus que utilizamos para ver os jogos, e até mesmo dos que fazem as televisões para assistirmos em casa. O futebol é do pipoqueiro e da moça da bilheteria.

Sabe de quem não é o futebol? Não é dos que não trabalham, aqueles que possuem as máquinas, os instrumentos de trabalho, as fábricas, os donos das transportadoras e das montadoras, esses que dependem de seus assalariados pra viverem pois não sabem fazer nada. O futebol também não é dos donos desses times milionários, tampouco dos acionistas da nike. O campo desses ai não é o campo de futebol, é o campo do Gulag Canavieiro.

"A copa do mundo é nossa", de todos os trabalhadores, e meu sonho, de criança, que era ser jogador de futebol e poder jogar uma final de copa, agora já adulto continua sendo esse, mas com um acréscimo.... fazer um gol na final da copa, levantar a camisa com a seguinte mensagem: PATRÃO É TUDO CUSÃO!

Ópio do povo é o caralho, futebol para os trabalhadores!


sexta-feira, 8 de junho de 2018

O Lula é culpado?

     É comum ouvirmos nas mais diversas rodas, desde o boteco da esquina até a sala dos professores, pessoas indignadas com Lula e sua "corja". Reproduzem um discurso raivoso, parecidos com o doentio Marco Antonio Villa. Pensam a política com o fígado e não com a cabeça.
     Aos olhos inocentes Lula é o maior ladrão do Brasil. Roubou o povo brasileiro e por isso merece apodrecer na prisão. Mensagens de zapzap e montagens no facebook reforçam a todo momento essa ideia. Eu poderia dizer que isso é uma velha tática, de que uma mentira repetida mil vezes acaba por virar uma verdade. Eu poderia, mas soaria como defesa ao Sapo Barbudo. Mas será que ele é mesmo Ladrão?
     Infelizmente, mesmo com as novas tecnologias, não desenvolvemos a capacidade da onipresença e nem da onisciência. Não podemos afirmar com certeza nada, correndo o risco de julgar um inocente ou inocentar um culpado. Geraldo Alckmin é corrupto? Eu não sei. Bolsonaro é corrupto? Eu não sei. Dilma é corrupta? Eu não sei. Ciro Gomes, Marina Silva, Juninho da Padaria? Eu não sei, eu não sei, eu não sei! Agora, políticos que usam do bordão "rouba mas faz", como Adhemar de Barros e Maluf o papo é outro.




     Se a maioria dos políticos não devem ser julgados por possíveis roubos que não temos a menor maneira de comprovar, que muitas vezes são repetições que mais se parecem crianças brincando de telefone sem fio, temos total capacidade de julgá-los por ações concretas. Se a Dilma roubou eu não sei, mas fez suas reformas da previdência e assinou a Lei Anti-terrorismo, criminalizando movimentos sociais. Se Alckmin roubou eu também não sei, mas sei que ele é responsável pelo desmonte das 3 universidade públicas paulistas, por descer a porrada nos professores e por sucatear as escolas estaduais. Bolsonaro é um verme de pessoa por ser racista, machista, elitista e homofóbico, mas eu não faço a menor ideia se ele rouba ou não - não temos provas disso.
     Então vamos a pergunta central: Lula é culpado? E eu te pergunto, de quê? Da corrupção? Não faço a menor ideia, e você também não. Se não podemos afirmar isso, outras coisas podemos. Lula e o PT tem muita responsabilidade no apassivamento da classe trabalhadora. O ciclo petista deseducou os trabalhadores, disse à eles que ficassem quietinhos e trabalhando bastante enquanto os líderes do partido ocupavam as cadeiras do Estado e faziam por eles, nisso o Lula é culpado. Lula e o PT ensinaram os trabalhadores a terceirizarem suas lutas. A pessoa que disse que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo e que disse também que precisou um torneiro mecânico chegar a presidência pra fazer o capitalismo funcionar no Brasil, tem culpa. Lula tem responsabilidade quanto ao sindicalismo pelego presente hoje em dia. Ele é produto de um sindicalismo atrelado ao Estado, se opondo à um sindicalismo livre, dos trabalhadores. Até os próprios cutistas/petistas são capazes de fazer inúmeras críticas a corrente sindical do Lula.
    Vamos acusá-lo pelo que ele fez, e não pelo que achamos que ele fez. Quanto mais fugimos dos fatos e nos aproximamos dos achismos, chegamos mais perto da loucura. Eu achar que uma árvore caiu na Nova Zelândia não significa que de fato uma árvore tenha caído lá. Nem mesmo vídeos e correntes de zap zap garantem isso, o vídeo pode ser de uma árvore parecida no Nepal.
     Se você não enviar esse texto para 3 pessoas o Suplicy aparecerá na porta da sua casa falando sobre o Renda Mínima e cantando Bob Dylan.