quarta-feira, 28 de julho de 2021

PT, golpe e democracia



O PT levou um golpe da burguesia na manipulação do debate da rede Globo em 1989. Perdeu a eleição e aceitou democraticamente.

Em 2016 o PT levou um golpe da burguesia, "com supremo, com tudo". A Dilma sofreu o impeachment e o PT aceitou democraticamente.

Nas eleições de 2018 o candidato do PT que estava em primeiro nas pesquisas eleitorais é impedido de se candidatar. O PT sofre um novo golpe da burguesia, dessa vez através da operação lava-jato. Mais uma vez o PT aceitou democraticamente.

É síndrome de Estocolmo que chama né?

Simone Biles desiste das Olimpíadas

 Simones Biles decidiu não competir mais nessas Olimpíadas, pelo bem de sua saúde mental. A ginasta, assim como Adriano Imperador, Michael Phelps e Nilmar são exemplos de como a pressão por resultados no esporte de alto rendimento causa aos atletas um sofrimento psicológico que os impede de continuar fazendo o que para muitas pessoas seria um sonho.

Mas se os "imortais" de maneira muito corajosa mostram ao público que são mortais, gente como a gente, mostram também que apesar de serem trabalhadores possuem um grande privilégio: a possibilidade de se recusar a trabalhar.
Uma professora com adoecimento psicológico que trabalha em dupla jornada com turmas superlotadas pode se recusar a trabalhar? E caso o faça, alguém reconhecerá sua humanidade nesse gesto? Se uma operadora de telemarketing se recusar a fazer as irritantes ligações pois ela não aguenta mais seu trabalho repetitivo e degradante a empresa vai tolerar? Os trabalhadores que não carregam medalhas no peito, tem esse direito?
Simone Biles fez o que deveria fazer, disse "não". E nós, quando faremos o mesmo?

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Cachorros do Brasil

 Há quatro tipos de cachorros na política brasileira. Existe aquele cachorro demesticado e que acata qualquer tipo de comando, existe o cachorro louco que geralmente obedece os comandos mas que as vezes avança até nos donos, tem o cachorro que vive na rua, o típico vira-lata, e por último o domesticado que as vezes tira um rolê na rua e que muitos pensam que é vira-lata mas que no fundo tem uma casa, é bem dócil e obediente.

Quando necessário a burguesia recorre tanto ao cachorro louco como ao domesticado que curte um rolê, mas o de sua preferência mesmo é sempre bom e fiel cão de guarda domesticado que não desobedece jamais. O vira-lata nem pensar, ele não se sujeita aos seus caprichos.
A burguesia é flexível, não tem problema em apoiar um miliciano ou até mesmo um ex operário sindicalista caso o candidato da elite paulistana João Dória não consiga crescer. Ela já fez isso em outras épocas.
Os vira-latas que se preparem se não quiserem ser linha auxiliar dos outros.

Lázaro e a bancada rural

Lázaro era um jagunço de fazendeiros de Goiás que o contratavam para tocar o terror em terras que queriam comprar na região.
Os políticos que vão aprovar o Marco Temporal vão roubar terras indígenas a mando do agronegócio. Terras indígenas vão virar plantação de soja e pasto para gado.
Lázaro e os políticos são jagunços do latifúndio. Um com armas, outros com caneta.
Lázaro foi fuzilado, os políticos vão virar nome de escola.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

A utopia, o horizonte e o socialismo

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Esse texto que equivocadamente é atribuído à Eduardo Galeano, como o próprio afirmou diversas vezes, é de autoria de Fernando Birri.
Muitas pessoas se utilizam desse texto para fazer alusão ao socialismo, como se ele fosse uma utopia. Acham bonito a idealização do socialismo - acreditando que ele é utópico por si só mas que nos possibilita sonhar. Que me desculpem os sonhadores, mas cometem um grande erro.
O socialismo é uma possibilidade histórica, uma possibilidade que se abre com as contradições da sociedade capitalista. E mais do que uma possibilidade histórica, o socialismo é uma necessidade concreta, a necessidade da classe trabalhadora em se emancipar de seus algozes, da exploração e da miséria que nos assola.
Quando milhões de pessoas morrem por um vírus ao mesmo tempo em que temos indústrias pra dobrar, triplicar ou quadruplicar o número de vacinas, mas o direito a propriedade privada não permite a quebra das patentes, o socialismo deixa de ser utopia para se tornar uma necessidade.
No capitalismo vacinamos muito mais bois do que pessoas. No capitalismo o lucro está acima da vida!
Que me desculpem Fernando Birri, Galeano e todos os que gostam dessa história de horizonte, passinho pra trás e passinho pra frente, mas assim como acreditava Rosa Luxemburgo, é socialismo ou barbárie.

A culpa é da professora Marocas



Muito bacana a narrativa que culpa quem votou em Bolsonaro pelas mais de 428 mil mortes no Brasil.

Para essas pessoas a professora Marocas que votou 17 por um ódio cego ao PT mas que agora está arrependida tem mais culpa do que a mídia burguesa, os meios de comunicação em massa que deixaram o miliciano crescer e que disseram que a eleição era "uma escolha muito difícil".

Para essas pessoas a arrependida professora Marocas tem mais culpa do que a burguesia que fez uma campanha massiva pelo Bolsonaro, inclusive financiando sua campanha e o gabinete do ódio, como é o caso da indústria armamentista.

Para essas pessoas a professora Marocas deve ser achincalhada pois ela é culpada, não uma esquerda pilantra que falou por mais de uma década que os trabalhadores eram a "nova classe média", despolitizando desenfreadamente a classe trabalhadora.

É mais cômodo culpar a professora Marocas dizendo que ela não sabe votar, pois facilita o caminho de alianças com os verdadeiros culpados.

terça-feira, 30 de março de 2021

Os alarmistas e o tonto



Em 1964 houve um golpe que foi apenas uma movimentação no grande tabuleiro da Guerra Fria. Naquele contexto havia uma efervescente movimentação dos trabalhadores do campo e da cidade. Mas e agora?

Apesar dos alarmistas de plantão, não há até agora elementos concretos para um golpe. A burguesia está lucrando como sempre, a esquerda está sonada como nunca e a classe trabalhadora apassivada "como nunca antes na história desse país". Além disso, a saída de alguns militares do governo expressa que o exército não está totalmente fechado com o governo miliciano.

No máximo o que Bolsonaro pode fazer é ser o amigo que ao combinar de entrar na piscina com os outros é o único a correr e pular. Deixam um tonto pular primeiro pra ver a temperatura da água.

Sem alarmismos, mas de olhos bem abertos.